Relatório final de pesquisa • PIBIC/PIBIT-2024/31559

A Geodiversidade nas Obras de Marianne North

Uma página de divulgação científica sobre a dimensão abiótica presente nas pinturas de Marianne North, articulando arte botânica, paisagem, geodiversidade, geoconservação e história ambiental.

Geodiversidade Patrimônio abiótico Arte botânica Geoconservação História ambiental
257pinturas analisadas no recorte da geodiversidade
848pinturas numeradas no catálogo da galeria
1871–1885período central das viagens internacionais
46,3%do corpus concentrado em Índia, Brasil e África do Sul

Ideia central

O estudo parte da constatação de que Marianne North é geralmente lembrada pela botânica, mas suas pinturas também registram rochas, relevos, águas, solos, vulcões, escarpas, zonas costeiras, grutas e outros elementos do meio físico.

Problema de pesquisa

A questão orientadora é compreender em que medida as pinturas de North permitem reconstituir estados pretéritos de geossítios atualmente protegidos e o que essa comparação revela sobre transformações sofridas pelo patrimônio abiótico ao longo de aproximadamente 150 anos.

Assim, a obra é interpretada como documentação visual de paisagens, e não apenas como registro artístico ou botânico.

As pinturas de North ultrapassam o âmbito da botânica e constituem registros históricos relevantes para a geodiversidade, a geoconservação, a história ambiental e a divulgação científica.

Síntese elaborada a partir do resumo e das conclusões do relatório.

Como a análise foi feita

A pesquisa adotou abordagem qualitativa, documental e bibliográfica, com leitura descritivo-interpretativa das pinturas e dos relatos autobiográficos de Marianne North.

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Seleção do corpus

Foram selecionadas 257 pinturas nas quais elementos abióticos aparecem como componentes visuais significativos: rochas, montanhas, escarpas, rios, lagos, cachoeiras, vulcões, solos, depósitos superficiais e zonas costeiras.

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Classificação temática

As obras foram organizadas por país ou região e por categoria predominante de geodiversidade, permitindo reconhecer padrões espaciais e recorrências geomorfológicas.

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Triangulação

A interpretação cruzou três conjuntos de fontes: análise visual das telas, autobiografia Recollections of a Happy Life e bibliografia sobre geodiversidade, patrimônio abiótico e geoconservação.

Marianne North e a galeria

North nasceu em Hastings, Sussex, em 1830, viajou extensivamente entre 1871 e 1885 e construiu, com recursos próprios, a Galeria Marianne North, inaugurada em Kew em 1882.

1830Nascimento de Marianne North, em Hastings, Inglaterra.
1871–1872Viagem aos Estados Unidos, Canadá e Jamaica.
1872–1873Viagem a Portugal e Brasil, com longa permanência em Minas Gerais.
1875–1877Tenerife, Estados Unidos, Japão, Singapura, Bornéu, Java e Ceilão.
1877–1879Campanha na Índia, incluindo paisagens himalaicas e Marble Rocks.
1882–1886Inauguração, ampliação e reorganização da galeria em Kew.

Resultados principais

Os resultados confirmam que a dimensão geológica, geomorfológica, hidrológica e pedológica aparece de modo sistemático nas composições de North, ampliando a leitura de sua obra para além do registro botânico.

Pinturas analisadas por região

Índia
58
Brasil
33
Indonésia
32
África do Sul
28
Ilhas Seychelles
16
Estados Unidos
15
Austrália
13
Chile
13
Bornéu
11
Jamaica
10
Nova Zelândia
6
Sri Lanka
6
Japão
6
Teneriffe
6

Categorias de geodiversidade

Geodiversidade e paisagem
78
Relevo montanhoso / Cordilheira
74
Litoral rochoso / Costeiro
31
Hidrografia / Cachoeiras / Lagos
26
Vulcanismo
13
Mineração / Geominério
11
Relevo granítico / gnáissico
6
Solos / Substrato arenoso / Laterítico
6
Formações rochosas especiais
6
Relevo sedimentar / arenito / quartzito
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Leituras interpretativas

A Índia reúne o maior número de obras com elementos abióticos identificados, seguida pelo Brasil e pela Indonésia. As categorias mais frequentes são “geodiversidade e paisagem”, “relevo montanhoso/cordilheira”, “litoral rochoso/costeiro” e “hidrografia/cachoeiras/lagos”.

O conjunto analisado também inclui geossítios hoje reconhecidos por diferentes instrumentos de proteção, como Pão de Açúcar, Serra dos Órgãos, Yosemite, Teide, Marble Rocks, Lago Biwa, Monte Fuji, Gunung Mulu, Table Mountain e complexos vulcânicos de Java.

Conclusões

A obra de Marianne North pode ser lida como inventário visual do patrimônio abiótico mundial, oferecendo base para pesquisa, ensino, interpretação patrimonial e comunicação pública das geociências.

1. A paisagem não é cenário neutro

Rochas, relevo, água e solo estruturam as composições e ajudam a explicar os habitats retratados pela artista.

2. Valor histórico e comparativo

As pinturas funcionam como linha de base para comparar paisagens do século XIX com geossítios atuais, sobretudo em áreas afetadas por mineração, urbanização, turismo e infraestrutura.

3. Uso educativo

O acervo pode subsidiar práticas de educação patrimonial, geoturismo, ensino de geociências e sensibilização sobre o patrimônio abiótico.